Quarentena Feelings
domingo, 25 de abril de 2021
Narrativas urbanas - feat 2021
Era uma mulher franzina, pele queimada de sol, mãos ágeis, cabelos brancos. Nos ombros, uma imensa quantidade de latinhas amassadas, carregadas com jeito de não virar pelo calçadão. Se aproximou de mim, tomando o cuidado de subir a máscara até a altura do nariz.Perguntou se ainda bebia da latinha que estava sobre a mesa.Recebeu a negativa e o metal passou de mãos, enquanto ela me contava que tinha caminhado desde o início da Avenida Lucio Costa até ali e seguiria mais uns quilômetros, até o ponto que a levaria para casa, no Complexo do Alemão. Me disse que morava com os filhos, tinha uma neta e uma bisneta e que tentava inutilmente fazer seu menino animar-se e conseguir um emprego.Enquanto isso, perguntei se já havia sido vacinada e ofereci a máscara fechada que levava na bolsa. Agradeceu, disse que iria sim, para a vacinação e que gostaria muito de aproveitar e perguntar ao presidente, (cujo nome não figurará nessas linhas, por absoluta incapacidade de tamanha violência em pleno domingo de manhã) se era possível colocar o exército nas ruas para ajudar a combater a contaminação por covid-19. : “- mais eficiente que subir morro para matar trabalhador”, ela me disse, com um olhar penetrante, tentando adivinhar minhas convicções políticas diante da afirmação. Em resposta, sosseguei-a, afirmando categoricamente as disposições profundamente anti bolsonaristas da minha existência e ela sorriu, ajeitou a máscara novamente e equilibrou o enorme saco de latinhas sobre os ombros.Me disse para me cuidar e eu repeti a recomendação, pedindo que não deixasse de usar a máscara mais eficiente que eu lhe entregara. Concordou com a cabeça, me dedicou uma benção rápida e seguiu, 73 anos, pelo calçadão da praia, enquanto eu reconfigurava minhas dúvidas sobre a falta de consciência que ainda possibilita, aqui e ali, entre tantos, o exercício diário de negação e estupidez diante da barbárie da população em situação de vulnerabilidade,diante dos nossos olhos. Devíamos tomar as ruas,pensei,como tenho feito, continuamente. mas tenho certeza que, diante do que se passa,queimaremos junto aos responsáveis por tantas mortes-simplesmente porque os deixamos permanecer lá. Porque toda consciência é vã se não se torna ação diante de pratos vazios, corpos atravessados por balas, exércitos que não se cansam de atirar e genocidas que continuam no poder. Diante da nossa imobilidade, segue a barbárie. Deus nos perdoe.
sábado, 5 de setembro de 2020
Um sábado de sol em plena pandemia
Enquanto nossas semanas de inverno se tornam uma vaga lembrança e o sol de primavera abre as janelas do peito de todos nós, as ruas do centro do Rio recomeçam a ser ocupadas.Feiras livres, bicicletas, vendedores ambulantes, a cidade se reinventa, perigosamenente, traçando uma corda bamba entre a normalidade e o caos, criando novos hábitos e remodelando outros, sem jamais deixar de caminhar entre Eros e Tanatos,morte e vida atravessando os trilhos de todos os dias. Tornou-se comum asssitir pequenas aglomerações de famílias inteiras sem máscara, ou pessoas que se arriscam caminhando sem proteçã alguma. Em todos os rostos, cobertos ou não, o prazer e o medo de sentir na pele o sol de um sábado azul. E é com um sorriso besta debaixo das máscaras que percorro a trilha vazia da Praça 15 até o Píer Mauá, encontrando no caminho casais, crianças e cachorros, a grande maiorria sem máscaras. Sinto aos poucos as lágrimas escorrerem do rosto protegido com óculos e duas máscaras, ao pisar novamente o chão do centro do Rio, tantos fins de semana passados no percurso do casario, do calçamento de pedra antiga, do inevitável abandono da esquina.Como se aos poucos, ao me reapropriar daquele território, tantos meses de ausência, a curvatura das asas se contorcesse querendo novamente alçar voo. Aqui e ali, enxergo movimentos contrários a toda recomendação, há bares abertos e cerveja sobre as mesas, pipoca vendida na esquina, balões coloridos na frente do museu.Tudo passa como dantes.Mas em meio a balbúrdia que afirma ser a vida uma teimosia furiosa de quem resiste, é impossivel não entreouvir o silêncio ressoante de tantos mortos,milhares deles, que sentimos até os ossos, em um frio que atravessa o peito e que convida a olhar as águas azuis da Báia, à espera de dias melhores
segunda-feira, 31 de agosto de 2020
sobre silêncios
Diário de Quarentena.Um domingo qualquer
Uma das coisas de que mais vou me lembrar se tiver a sorte de sobreviver à pandemia é do silêncio.Não falo do intervalo entre sons, tão comum à vida de todos os dias. Me refiro ao silêncio que vem de dentro do peito,que atravessa os ossos e que te alcança independente de onde esteja. Seja numa praia lotada - inacreditavelmente cada vez mais frequente nesses tempos - ou em uma casa vazia, desses corredores cada vez mais frios da vida de todos nós, seja qual for o momento. De repente diante de um magnifico céu azul de domingo, por maior que seja o calor,há sempre um vento frio que te alcança e faz chegar o silêncio que congela o sorriso, paralisa as conversas, doi na alma. E é de silêncios que seguimos, na toada de sobrevivências que nos cabe, mais ou menos adoentados que estamos todos, física e psicologicamente.Nos longos meses que se seguem, a felicidade é um produto em constante promoção, assim como resiliência e auto cuidado.. todos são exibidos constantemente nas prateleiras virtuais de nossas redes, disfarçados sob a etiqueta de "novo normal". Mas como é possível haver normalidade depois de 180 dias de incertezas, dores e caos? e isso se tivemos sorte. seguimos aqui, estupidamente tentando não ceder ao espanto, a inercia e a tristeza, reinventando-nos todos os dias, sobrevivendo sempre que possível. E as vezes simplesmente não é possível. Por vezes a dor e a raiva exacerbam, ante a impotência de ser e estar. Mas ainda cabe um instante em que temos esperança.Até lermos o noticiário.Que nos alcança.avança pelas janelas, atravessa muros, se insinua pelas frestas das portas. E então tudo parece mais cinza e cada um dos mortos se soma aos dias de quarentena. Até quando?É a pergunta que não ousamos mais dizer. E qualquer plano para depois da pandemia parece esvanecer diante dos ponteiros do relógio.Sobrevivemos,quase todos,mais por teimosia do que por convicção. E já há aqui e ali focos de resistência de gente que insiste em não somente sobreviver e produzir,mas viver,intensa e afetivamente, como em desafio. Aqui e ali vemos um outro sorriso em um instante fugidio, onde parecemos voltar a vida e respirar, profundamente. E já há pés que correm em direção a águas e verde, grama e areia misturadas em imagens que ousam mostrar que ainda temos saída. Em tempos de confinamento, a felicidade é um desafio, enfrentamento a morte, mãos dadas furtivamente.Porque uma coisa que não se pode negar é que, inevitavelmente, ainda mantemos em algum lugar a fé de um depois. E seguimos ávidos de amor e sorrisos .Enquanto outro silêncio não vem.
#covid19 #quarenteners #quarentena #pandemia
sexta-feira, 28 de agosto de 2020
Sobre amor, quarentena e cotidiano
Uma das lições mais doídas dessa quarentena foi a constatação de que tudo que é sólido se desmancha no ar e que a sobrevivência não está somente nas medidas de higiene,cuidado e prevenção que temos, mas no tanto de afeto cotidiano que nos cerca. Abençoados aqueles que enfrentam essa pandemia desconstruindo necessidades do supérfluo e mergulhando na relações afetivas fundamentais, de filhos,parentes, amores. O que nos sustenta não é a live de sexta ou os cursos que fazemos, nem mesmo a meditação de todos os dias.O que nos sustenta, acreditem,é o café compartilhado na cozinha, a consciência em comum da mudanca da luz do dia, o dividir angústias no intervalo das tarefas de sempre, o medo que se transforma em resignação.da resignação novamente para o medo.Do medo para o afeto, das mãos que se encontram e para a verdade que se vive.Todos os dias. O feijão que se cozinha, o cheiro do bolo que atravessa a casa. Agradeçam aos céus se tiverem com vocês amores que atravessem todos os ponteiro do relógio dessa quarentena, luz e sombra, conflito e acolhimento. Porque é desse lugar de afeto que saíremos no final de tudo, um tanto mais tristes mas essencialmente mais fortes se tivermos a coragem de mergulhar .
sábado, 8 de agosto de 2020
Diário de quarentena. Tantos meses que já não sei mais o que é um calendário
Diário de quarentena. Tantos meses que já não sei mais o que é um calendário
Esqueça o que te disseram sobre resiliência. Em tempos de pandemia, não é a rígida rotina de exercícios, a dieta equilibrada, a organização do caos em meio ao privilégio de estar protegido entre quatro paredes. Não é em absoluto a vasta pilha de tarefas realizadas com perfeição. O que nos segura com os pés no chão – o chão que nos resta - enquanto o mundo vira de cabeça para baixo é o afeto compartilhado de todos os dias. Os abraços que sonhamos em dar, as palavras que ouvimos no intervalo da rotina, os rostos que conseguimos ver sorrir, os pedacinhos de felicidade que conseguimos conservar, os corpos que se encontram e acolhem no meio da noite. As vozes que ainda ouvimos. O reservatório de afeto que conservamos junto ao peito nesses tempos, para podermos continuar a respirar.
Esqueça o que te disseram sobre manter sua rotina de trabalho. Não. Há. Rotina. Na. Pandemia. A cada dia centenas de pessoas – não apenas pessoas - mas amigos, maridos, irmãos, mães, cunhadas, avós - se vão. Por causa ou apesar do vírus. Porque à contaminação do corpo, sempre há a da alma e já são muitos os que se vão também, atravessados pela irremediável atmosfera de tristeza e desânimo que nos acomete. E seus sonhos, energias, histórias e afetos pairam no ar, como uma nota dissonante que ressoa nas paredes vazias, bruma úmida que arrepia a pele, quando o sol ainda não chegou. Por todo lado há ecos de encontros que não vão mais acontecer, abraços que só moram agora na memória, cheiros que entranharam nos quartos, nos lençóis, na roupa acumulada na área, naquele café em cima da mesa. Há fotos que foram guardadas em gavetas, para não doer tanto e para a vida seguir. E de fato seguimos, mais ou menos quebrados, acordando sob o medo diário de sintomas, de loucura ou de covid, agradecendo a sorte de mais um nascer do sol, conferindo os deveres, espichando os ouvidos para sentir, nas paredes vizinhas um fragmento de vida que traga um tanto de normalidade às horas. Esqueça o que te disseram sobre a pandemia. Resistimos nos instantes roubados, mãos, beijos, pele, todo contato humano ainda remanescente. Não são nossas produções, os livros que lemos, competências e habilidades aprendidas, os filmes, a intensa produtividade partilhada em obrigações. Não são os títulos, os cursos, a insana necessidade corporativa de ainda ser e estar, a teimosia em se agarrar ao que éramos antes, como se ainda fôssemos. Não somos. Mais. Somos ao contrário 700 mil histórias interrompidas, vidas que queriam continuar, não para o trabalho, a rotina, os títulos. Mas para somente mais um instante de afeto, para sentir mãos e braços, pernas e vozes, para os cheiros e texturas do encontro. Para a vida que não se pode mensurar. E que faz tanto sentido dentro do peito. E que nos faz humanos. Ainda. Para isso estamos aqui. Sobrevivemos e nos levantamos todos os dias para o beijo, os abraços, a música que ainda conseguimos escutar juntos, o absoluto privilégio de ter o coração ainda aberto pelo amor, resistindo em meio ao caos, benção divina que protege corpo e alma, oração compartilhada em dias e dias de reclusão. Tal foi a tarefa impingida pelo Universo, se é que ainda nos ouve e considera parte do Todo. Amor, irremediável e inútil para o mercado e os selfs, fora de moda e cotidiano.Ainda e sempre real No instante do recomeço, acreditem, todas as nossas tarefas realizadas restarão sobre a mesa, diminutas diante da imensidão dos reencontros. Esqueçam o que te disseram sobre o que fizemos. Sobre as profundas análises sociopolíticas, de todos os filósofos que ousarem compreender o período que vivemos. Quando olharmos para trás, se tivermos a sorte de estarmos lá – no que ainda vai ser - será o amor a única resposta para quando nos perguntarmos como foi que sobrevivemos.
#quarentena #covid19 #pandemia #quarenteners #covid #coronavirus
domingo, 12 de julho de 2020
Sob o mal-estar social em tempos de pandemia
Sob o mal-estar social em tempos de pandemia
Junho passou como um golpe de foice, cortando todas as nossas certezas sobre o que significa estar inserido em uma pandemia, a tolerância de todas frentes aos mortos – milhares deles - a ineficácia do sistema mundial de prevenção a epidemias de escala global, a previsão de retorno e do que significa normalidade. Como chamar normal um contexto onde seguimos sob a ameaça de morte, as emergências ainda acolhem muitos doentes, os testes de vacinas seguem em franca evolução, mas sem um cronograma possível e as ruas – inacreditavelmente - seguem cheias, como se não tivéssemos nas esquinas um vírus capaz de entupir completamente os pulmões e literalmente interromper a circulação do oxigênio causando asfixia, o comprometimento do organismo e a morte do paciente. Para não falar nos efeitos colaterais dos muitos que se recuperam. Alheios à gravidade dos sintomas do vírus, homens, mulheres e crianças começam pouco a pouco a tentar recuperar o tempo perdido em mais de 120 dias de quarentena- para aqueles que podem dar-se ao luxo de estar em isolamento - e já é possível ver restaurantes, lojas, padarias, repletos de pessoas. Algumas assustadas, usam máscaras e protetores para olhos. Outros, inadvertidamente, ousam atravessar a cidade sem proteção. Aqui e ali os transportes públicos seguem lotados e já são maiorias que não usam qualquer tipo de proteção- mesmo dados os decretos do governo federal, estadual e municipal impondo o uso de máscaras – sob o risco de multa. E assim o Estado conduz sua mise-en-scène, enquanto as operações policiais seguem deixando dezenas de mortos a cada dia, as praias restam interditadas, mas em pleno uso, os desempregados acumulam-se tentando sobreviver em um ambiente de convívio majoritariamente virtual, de trabalhar, consumir, socializar e divertir-se e os primeiros drive-ins. começam a adentrar a cidade na mesma urgência em que empresas e universidades, serviços e profissionais liberais tentam adaptarem-se ao “novo normal”. Enquanto cientistas alertam para o risco de contaminação por vias aéreas do novo covid-19, bares e casas noturnas – com honrosas exceções- recomeçam a abastecer o estoque de bebidas alcoólicas, com restrição de acesso a suas dependências. E no apagar das luzes, mais um ministro da Educação defende o braço ainda mais pesado do Estado – como se já não pesasse sobre a população mais vulnerável- diante da educação de crianças e jovens. Nesse cenário de horrores a república brasileira se desfaz em pedaços – de cidadania, respeito e justiça. E o racismo, a homofobia e o genocídio de negros indígenas, pobres, mulheres, lgbtqs e crianças seguem sendo a pauta silenciada dos jornais. E sobrevivemos todos os dias em um Estado de mal-estar social - enquanto os primeiros shows de drive-ins. ocorrem nos bairros mais nobres do Rio de Janeiro. E o campeonato de futebol segue. As novelas programam novos capítulos. E as empresas turísticas, alimentícias, de marketing, esportes fazem planos para 2021, diante de um 2020 que ainda não começou.
segunda-feira, 1 de junho de 2020
Levantes
E finalmente chegou o dia em que perdemos o medo.Súbito, já não nos importa mais se vamos morrer. Porque todos vamos e a caçada permanece.Incólumes, governantes e empresários seguem a campanha pelo retorno à normalidade e a retomada de trabalhadores a seus postos,cerrando filas em detrimento de suas próprias vidas. Risco? Contaminação?Sob o discurso velado da fome, um burburinho se torna discurso oficial e lança às costas da população mais uma responsabilidade:a de decidir quem vive e quem morre. Sem que alguém diga como a desigualdade social pode garantir o isolamento necessário ao controle do covid-19 entre a população vulnerável. A que não está em quarentena, por absoluta necessidade de sobrevivência. A que morre todos os dias, nas esperas das emergências superlotadas ou sob os intermináveis tiroteios financiados pelas políticas públicas. A que teme por seus filhos, maridos e amigos, quando portam máscaras, a que ocupa os postos de trabalho fundamentais .De outro lado, segue o vozerio dos bem nascidos. Já são longas as filas de carros - sim, senhores, carros - enfeitados com bandeiras nacionais, que seguem as longas avenidas dos bairros de maior IPTU das cidades pedindo pelamordedeus que não deixemos a produção do país ao relento,que retomemos nossas atividades para que a economia - sempre ela - não seja prejudicada.Corpos?vidas?São estatísticas, usados aqui e ali, nos discursos oficiais, para justificar o impossível. Algumas mortes são mais representativas que outras, aparentemente.Contudo,o que não se esperava,em um tempo onde os mortos se contam às dezenas de milhares, era que um evento, um assassinato, somado aos muitos que permanecem nas páginas diárias da imprensa, fosse provocar o levante há tanto tempo esperado. Porque não se tratava “apenas ‘de uma morte. Mas do sistemático genocídio de mais um corpo negro. Somado aos milhares de nomes de meninos, cujas fotos vão sendo pouco a pouco enfileiradas nas páginas dos jornais. De repente, algo furou a bolha de medo e imobilidade erguida diante da pandemia. E as ruas começaram a ser tomadas de corpos,não mais em protestos virtuais, mas sim, ombro a ombro,máscaras e álcool em gel, berrando a plenos pulmões:#blacklivesmatter. Nunca importaram para o Estado.Nunca para o crescente discurso fascista que margeia daqui e de lá, encontrando eco nessas paragens latinas, em grandiloquentes gestos de desprezo à preservação da vida.Súbito, bastou! No último domingo, dia 31 de maio, as primeiras mobilizações começaram a acontecer.Vindos não se sabe de onde, mascarados marcham nas ruas do país, somados-e aos braços erguidos de grande parte do mundo. Entre fogo e gasolina, resta aos governantes refletirem, uma vez visto o ocaso total do regime representativo que os sustentou por tantos séculos:como enfrentar uma multidão que perdeu o medo da morte?Como ousar retornar o estado anterior, quando iooi primeiro movimento foi feito e encontrou ecos os corpos e mentes de tantos?E enquanto muitas vozes se posicionam contrárias ao fascismo, a pandemia segue, sem que, desse lado do oceano tenhamos vacina, políticas públicas de saúde, garantia de renda mínima a quem não pode ainda voltar a trabalhar.Súbito, a raiva e a indignação - até então silenciadas diante do caos pandêmico- atravessaram as janelas e iniciaram sua marcha, sem destino certo.o que importa é ocupar espaços.muitos.Todos se preciso e derrubar muros, para que nenhum outro corpo seja novamente assassinado sob os pés do Estado.
Assinar:
Comentários (Atom)