sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Sobre amor, quarentena e cotidiano

Uma das lições mais doídas dessa quarentena foi a constatação de que tudo que é sólido se desmancha no ar e que a sobrevivência não está somente nas medidas de higiene,cuidado e prevenção que temos, mas no tanto de afeto cotidiano que nos cerca. Abençoados aqueles que enfrentam essa pandemia desconstruindo necessidades do supérfluo e mergulhando na relações afetivas fundamentais, de filhos,parentes, amores. O que nos sustenta não é a live de sexta ou os cursos que fazemos, nem mesmo a meditação de todos os dias.O que nos sustenta, acreditem,é o café compartilhado na cozinha, a consciência em comum da mudanca da luz do dia, o dividir angústias no intervalo das tarefas de sempre, o medo que se transforma em resignação.da resignação novamente para o medo.Do medo para o afeto, das mãos que se encontram e para a verdade que se vive.Todos os dias. O feijão que se cozinha, o cheiro do bolo que atravessa a casa. Agradeçam aos céus se tiverem com vocês amores que atravessem todos os ponteiro do relógio dessa quarentena, luz e sombra, conflito e acolhimento. Porque é desse lugar de afeto que saíremos no final de tudo, um tanto mais tristes mas essencialmente mais fortes se tivermos a coragem de mergulhar .

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